Que absurdo! Essa expressão realmente traduz com efeito o que a minha alma geme no pensar do que aconteceu ontem na porta da faculdade.
Conheci há algum tempo uma pessoa muito interessante mas que, por alguns problemas pessoais meus, nunca tínhamos combinado para conversar pessoalmente fora da ocasião do encontro em que nos vimos.
Sempre nos conversamos, desde então, pelo Messenger (MSN), mas nada além do texto e acabamos por nos tornar bons amigos, daqueles pelos quais se sente bastante carinho.
Pois bem, nos encontramos dia desses* na Fieo* em Osasco para conversarmos. Ficamos num ótimo bar perto da faculdade, comemos e bebemos em meio a muita boa conversa. Foram três horas de assunto incessante, e como é bom ter os amigos sempre por perto. Pagamos a conta e fomos embora.
Acordamos que tomaríamos a condução para ir embora no mesmo lugar (não no mesmo ponto) e seguimos descendo a rua. Surpreendente reação foi a nossa com um beijo demorado, discreto e sem malícia porém muito bem sintonizado; não aconteceu ao público, mas às ocultas – Prudencia! Clama a sabedoria. Até aqui, mil maravilhas.
Mas o que ocorreu após isso foi o pior espetáculo da mediocridade que eu já presenciei: dois caras-malas – adolescentes, pelo que reconheci – nos abordaram em ofensas e falas de expulsão. Como bons pacificadores, saímos tranquilos e símplices mas fomos surpreendidos com algumas pedradas que eles lançaram contra nós. Graças a Deus, nenhuma delas nos atingiu. Um susto grande para um horário nada amigável: noite, horário de saída das faculdades.
O que eu gostaria de comentar é a sensação que tivemos a respeito do acontecido: injustiça, preconceito, falta de cultura, falta de respeito, animalidade. Como uma sociedade (quero aqui considera-los como evidência de um conceito social) pode ter tão vil reação ao inusitado [que já não é tanto assim], ao incomum [que também não é tanto assim], ao diferente [será mesmo?]?
Fico imaginando a falta que nos faz leis mais agressivas aos preconceitos diversos para aqueles que sofrem as muito mais duras ofensas de uma sociedade pseudo-religiosa, racista, machista e homofóbica! A polícia não foi acionada porque entendemos que haveria uma insegurança geral haja vista que todos os dias a pessoa passa pelo mesmo lugar e algumas das características dessa corporação são a inconstância, insuficiência, inutilidade e imperícia para tratos desse tipo. Além disso, que subsídios a lei nos dá que assegure alguma ação eficaz?
Peço que, como é cantado numa música interpretada pelo Ney Matogrosso, “Deus salva a América do Sul!”
* Por questões óbvias de sigilo, os locais indicados pelo asteristico não são reais, são imagens paralelas da realidade.
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