Como é que eu pude deixar que chegasse tudo nesse estágio? Como pudemos deixar as coisas irem tão abaixo como foram? Não posso acreditar.
Um namoro que começou há 11 meses e que nunca causou as boas coisas da felicidade nem aos dois nem aos outros. Cheio de problemas, de desgastes, de brigas, de infantilidades, havia amor mas muito pouco para insistir numa coisa assim.
Deus disse em sua palavra sobre o jugo desigual: eu não acreditava muito, mas é a mais pura realidade. É interessante que os opostos se atraem, mas não podemos usar esta característica humana como parâmetro para nossos relacionamentos.
Vamos avaliar o meu caso.
Eu – na época desempregado, chateado com muita coisa, de família classe-média, muito bem relacionado de amigos e parceiros de atividades, culturalmente ativo, evangélico atuante (na época eu estava meio desregrado, mas…), etc.
A Pessoa – uma pessoa misteriosa, sem família, sem base sólida pessoal e psicológica, um ano a menos que eu, sem formação escolar, cheio de vícios e psicoses, sem envolvimento religioso (teoricamente evangélico) e um músico inativo.
Durante esse tempo, problemas e mais problemas surgiram. Mil outras pessoas foram envolvidas em nossas brigas, cobranças e mais cobranças de outros sobre mim a respeito dele, estava eu carregando-o nas costas há muito.
Nossos impasses ocorreram na fé, na participação social, no nível financeiro (mais ou menos), no campo acadêmico, etc. As diferenças de perspectiva foram muitas.
Em nome do pseudo-amor conseguimos uma casa na mesma rua da minha para que ficássemos próximos, de uma senhora de 85 anos ou mais. Estávamos vivendo razoavelmente bem.
Há uns dois meses, após muitas brigas, meu amor se esfriou completamente. Até o tesão já estava ficando afetado. Mas o pior aconteceu hoje pela manhã.
Tudo começou ontem à noite, quando voltava do ensaio do coro da igreja e passei lá para ver como ele estava (e também ajuda-lo em algumas coisas). Eu já tinha decidido a falar sobre tudo e terminar o namoro. Ficamos por quase três horas conversando e ele chorando como uma criança. Embora eu tenha falado que não o amava mais, acabamos fazendo “bobices”.
Hoje às 09:30h ele me acordou chorando como uma criança novamente. E ficamos conversando até as 13:00h sempre com o mesmo discurso: eu te amo, não vou te perder, não aceito, não admito, você me ama sim eu sei, é outra pessoa, blá blá blá. Mas chegou uma hora que – nú – ele começou a pular sobre mim se insinuando sexualmente. É claro que isso irrita qualquer um. Eu estava desesperado para acabar o assunto e ir embora, mas é possível que aquilo não tivesse fim até que irritados começamos a nos agredir fisicamente.
Aos gritos ele chamou por socorro dizendo que eu estava batendo nele (claro, eu sou bem maior do que ele) e a vizinha dona da casa bateu na janela dizendo que ia chamar a polícia. Eu abri a janela e pedi ajuda para poder ir embora – afinal era apenas o que eu queria e ele saiu pelado do lado de fora da casa, na frente da senhora como se nada tivesse acontecendo, falando que estava tudo bem que estávamos apenas conversando. Claro que ela indignada mandou ele colocar uma roupa e a mim, embora. Eu fui.
Essa dona da casa não sabia nada sobre mim porque nossas conversas sempre foram muito formais. Ninguém no meu bairro sabe nada sobre mim, pouquíssimo sabe também minha família. Imaginem a vergonha de tudo isso?
Não consigo acreditar que uma pessoa a quem eu dediquei quase um ano da minha vida seja capaz de fazer isso e muitas outras coisas. Tudo de mim – e muito da minha família – eu dediquei a ele. Quase perdi as relações com meus pais, perdi propostas de emprego, ignorei amizades, etc tudo por amar uma pessoa sem o mínimo de estrutura emocional.
Mas tudo na vida é aprendizado. Cabe a mim nunca mais entrar em nenhuma cilada satânica na minha vida. A benção de Deus é prazerosa, enriquece, e não acrescenta dores (Provérbios 10.22).
Por medida de segurança, eu estou estudando a idéia de registrar uma queixa-garantia na delegacia para evitar problemas posteriores.
Rafael Cezar Luz
Escritor parceiro do blog Universo Pensador, desde junho de 2009.
Este texto foi escrito em 25 de julho de 2009, ás 14:28h.
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