
Montagem do Acidente de Bombeiro Rosival
Num só instante o mundo desabou! Meu pai que estava bem há algumas horas, de repente, foi pego por um acidente. Essa história é verdadeira e interessante.
Bombeiro Rosival, assim como é conhecido, tinha acabado de se aposentar após 27 anos de serviço na Polícia Militar do Estado de São Paulo, sem nunca sequer ter recebido algo que o desabonasse, fosse reclamação ou processo administrativo, formal ou não. Nos últimos tempos, pela sua formação e experiência, ele ministrava aulas para formação de novos profissionais do Corpo de Bombeiros. Também, pela sua influência política em Taboão da Serra, assumiu o sub-comando da Guarda Municipal da cidade por um curto período de tempo, mas que foi suficiente para posta-lo como uma pessoa reconhecida pela sua competência e com diversos amigos e contatos na instituição.
Pois bem, no dia 29 de abril de 2003 – no dia do meu aniversário! – ganhei uma carona do meu pai até o Wandyck Freitas, onde eu estudava, já que ele estava levando o meu Tio Joel, seu irmão, até a rodoviária. Na volta para casa, ele resolveu passar na antiga sede da GCM-TS para visitar um amigo que o tinha convidado para uma visita ao departamento. O negócio está aqui!
O acidente
Um GCM estava na cozinha improvisada, cozinhando macarrão para seu consumo. Até ai, nenhum mistério, mas o ambiente tinha muito a dizer. Ele estava usando uma biqueira de acampamento de duas bocas instalada direta e impropriamente num botijão de 13kg de gás, sobre uma cadeira de madeira. Olha que gambiarra!
Embora meu pai tivesse avisado que essa utilização era perigosíssima e de alto risco e tivesse pedido que cessasse o guarda civil não deu ouvidos, continuando a preparação.
De repente, pelo vidro de separação das duas salas, meu pai vê a labareda: a válvula do botijão se rompeu, fazendo um jato alto de fogo.
Para evitar maiores riscos e problemas, meu pai – que tem experiência nisso -, pegou alguns panos molhados e tomou o botijão pelas mãos para retirá-lo até que se esvaziasse.
Mas rompeu-se então a parte superior do frasco em suas mãos. Pelo efeito maçarico, o gás líquido jateou seu rosto e seus braços, e todos os outros móveis do ambiente, que ficou tomado pelo fogo.
Ele saiu então, pegando fogo pela única saída da unidade. Atravessou em chamas a Avenida São Paulo. Apagou com a camisa o seu rosto que estava com fogo. A própria GMC o socorreu de viatura até a emergência do posto Akira Tada, há poucos quilômetros do local, onde ele recebeu os primeiros socorros até que a Polícia Militar fosse acionada.
Após os primeiros cuidados, a PM de São Paulo acionou uma ambulância e o helicóptero oficial para a remoção do Tenente Rosival até o Hospital Militar da Polícia. Foi então paralisada a Rua Pedro Mari para uso do heliponto da indústria Niasi (de cosméticos).
O Susto
As viaturas da GCM sempre passaram por nossa rua, parando às vezes, para cumprimentar o meu pai pela sua amizade. Mas naquele dia foi diferente. Minha mãe estava em seu horário de atendimento com as mães do programa Viva-leite (que distribui leite de graça para o povo) conversando com um pastor beneficiário, quando dois guardas amigos da nossa família encostaram o carro e deram a notícia à minha mãe, que entrou em desespero.
Naquele momento, tendo já chegado da escola, fui também avisado e cuidei então de avisar o resto da família do que tinha acontecido.
Quando chegamos no pronto socorro, levados de viatura, vimos uma cena horrenda. Meu pai esticado numa maca, nu, plenamente consciente, com as peles dos braços escorrendo de si como mangas de vestidos e com o rosto inchado em pelo ou menos 150% e totalmente queimados. (Detalhe engraçado: o bigode ficou intacto).
A hospitalização
Removido então para o HM (Hospital Militar da PMESP, que fica próximo à Serra da Cantareira na Zona Norte – há 72 km de distância de casa), meu pai ficou na UTI em observação por três dias para verificação dos órgãos internos, que não foram atingidos.
A sua recuperação foi impressionante: 45 dias de internação e tratamento, uma cirurgia plástica de enxerto nos braços, e teve alta.
Nessa época tivemos gastos absurdos já que diariamente gastávamos em gasolina o percurso total de Taboão até a Cantareira, além do gasto com alimentação que tinha de ser reforçada e que o hospital não fornecia.
O milagre de Deus
Fatos interessantes
1 – Ao invés de ficar na área propícia do 5º andar, ele ficou hospedado no 6º andar onde mais de 80% dos funcionários eram evangélicos.
2 – Minha mãe conseguiu ser hospedada no mesmo apartamento que meu pai, sem custo algum e pode cuidar dele com mais atenção.
3 – O trabalho de Capelania do grupo evangélico “PMs de Cristo”, tinha ênfase naquele andar.
4 – A primeira dor que o meu pai sentiu foi apenas nos primeiros curativos já no HM – é um milagre de Deus não ter sentido nenhuma dor, nem na hora do acidente.
5 – O acidente aconteceu no dia do meu aniversário.
6 – Ninguém sabe quem avisou os bombeiros amigos do meu pai sobre o acidente (todos evangélicos).
7 – Ninguém sabe quem arranjou a ambulância com UTI para a remoção, já que na cidade não havia nenhuma do tipo e também o HM fica muito distante dali para socorro tão imediato.
8 – Os pronto-socorristas do posto de saúde eram todos evangélicos (nós os conhecíamos antes do acidente).
Através desse acidente, nos rendemos a Deus meu pai, minha mãe e eu. Após aquele período de tempo, tudo – isso mesmo, TUDO – na nossa vida foi alterado. Novidade de vida, diz o Senhor, é a reserva para aqueles que confiam em Jesus Cristo.
Taiguara Pires
Terça-feira, 19 de agosto de 2008 às 15:53h.
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