Meu Deus! Que luta na vida! Nunca um dia foi tão zicado como o sábado (10.05.2008) no dia do casamento dos meus amigos Ana Luiza e Carlos André. Quando eu contei às pessoas tudo o que aconteceu, até os mais incrédulos levantaram as mãos aos céus e agradeceram a Deus por eu ainda estar vivo.
I Tomo: As aulas de direção
Como tenho feito aos sábados, fui à Auto-escola Márcio no centro do Taboão para mais uma aula de direção (teórica ainda). Pois bem, não sei se bem sabem mas todas as presenças dos alunos são computadas pelo DETRAN com o registro eletrônico de digitais. Adivinha o que aconteceu? O software da escola travou e todos os alunos presentes ficaram com falta, segundo a regra.
Solução: Teremos que ir todos num horário especial reservado na segunda (19) apenas para ‘mostrar o dedo’. Isso não é o máximo? Eu também achei! O detalhe fica por conta da lógica temporal. Eu trabalho em Alphaville e saio às 18:00h. Como poderei, oh caro Watson, chegar às 19:00h no Taboão? Nem imagino como seria, mas vou ter que me ajustar.
Resultado: Atraso.
II Tomo: Trocar de Roupas
Tinha eu, criatura de Deus, me programado para ir ao salão de beleza (pedir um milagre a Deus!) para fazer uma pequena reforma no meu ser: cortar os cabelos, fazer as unhas e limpeza de pele. Pois bem, não é que deu tudo errado? Nada do que marquei de fazer eu pude concluir.
Solução: Eu tinha uma esperança: a minha irmã deu uma garibada no meu eu. Ela fez as minhas unhas e deu um jeito no meu cabelo. Tudo bem que três quilos de carne me foram arrancados pelas suas mãos assassinas de manicure inexperiente, mas tudo estava ótimo para um serviço gratuito.
Resultado: Atraso.
III Tomo: O Perfume do Mal
Assim que eu estava na esquina do ponto de ônibus – é claro que eu fui de ônibus! Onde já se viu, um padrinho ir de carro a um casamento? Que sandice! – da minha casa e esqueci que não tinha posto perfume: quem me conhece sabe que eu não vivo sem perfume. Resolvi rapidamente dar um pulo no “O Boticário” do Shopping Taboão e comprar um Quasar, por emergência.
Voltando do Shopping, eu avisto ao longe o ônibus Osasco-Centro (filho único no Taboão) e eu estava suficientemente longe para não alcançar o ônibus a passos lentos. Qual foi minha reação? Correr desesperadamente atrás do ‘busão’, de terno e com uma sacola toda colorida nas mãos.
IV Tomo: O dinheiro do busão
Por estar atrasado, nem verifiquei se a minha carteira estava ou não com dinheiro, com a grana que tinha sacado pela manhã. Quando cheguei no centro de Osasco, no miniterminal de ônibus para tomar a condução “Vila dos Remédios”, eis que abro a carteira e… advinhem… Isso porque eu resolvi não abrir mais a boca para ninguém a dizer sobre o roubo do pivete maldito*.
Sai correndo desesperadamente atrás de um caixa eletrônico do Bradesco, até quando soube que havia alguns na Galeria Shopping Osasco. Fui até lá.
Momento Infernal 1 : Ao chegar no caixa eletrônico, eis que havia uma fila de cerca de 4 ou 5 pessoas. Quando chegou minha vez, alguns minutos depois, os botões “0″ e “2″ não estavam funcionando de forma alguma. Informação Importante: minha senha contém esses dois números. Logo…
Momento Infernal 2 : Na segunda fila de cerca de 6 pessoas, o meu maravilhoso cartão do banco resolveu dar erros de leitura, após os vários minutos de espera.
Momento Infernal 3 : A única salvação era o caixa do Banco24horas que estava próximo. Uma fila de 3 pessoas irritava minha paciência, representados por uma familia de ogros desvalidos cujas criancinhas ficavam gritando atraindo a atenção da sua mamãezinha. Dado: o caixa do B24h é altamente demorado. Mas consegui sacar uma grana.
V Tomo: O ônibus para o inferno
Ao retornar ao terminal, havia uma fila absurda para entrar no ônibus. Estrelando a fila, havia dois ilustríssimos bêbados. A saber…
Personagem A: Bêbado 1
Personagem fedorento (três cheiros diferentes, nem digo de quê). Estava logo atrás de mim na fila. Ele deu uma escarrada monstruosa no chão, que respingou absurdamente no meu sapado engraxadíssimo. Eu estava agora completo para seguir viagem: TERNO, GRAVATA, SAPATO e CATARRO. Limpei com o papel do perfume que tinha comprado. Fiquei puto, falei um monte, mas acalmei, afinal não poderia matá-lo pois sujaria minha roupa.
Personagem B: O Bêbado 2
Quando todos nós da classe baixa conseguimos entrar no ônibus, um ser horrendo, vestindo vermelho e com traços de um possuído, começou a passar mal. Não se sustinha em pé de forma alguma. Quando o ônibus se balançava, ele começava o seu revezamento de encostos. Mas quem eram os encostos? Eu, uma idosa, uma senhora com criança e mais um rapaz. Eu, que já estava completamente puto, falei um monte para o bêbado até quando percebi que ele já não respondia a estimulos (não falava nem gemia, não parava em pé, não se segurava, nem nada). Combinei por olhares com o rapaz que nós dois o prenderiamos de pé, protegendo as outras pessoas, com nossos braços presos ao banco. Olhem as imagens para ninguém dizer que é mentira…
(fotos)
Isso tudo rolava pelos idos de 18:40h. O casamento estava marcado para 19:30h (padrinhos). Segundo populares, que como todos são me forneciam informações divergentes, o ônibus levaria ao menos 40min para chegar até a igreja. Logo, 18:40h + 00:40min = 19:20h, isso contando com a ajuda de Deus para que não houvesse trânsito.
Depois de muitas voltas e também de muita espera, cheguei até um ponto de ônibus que ficava próximo à igreja N. S. dos Remédios. Quando firmei no chão os pés, não me segurei, correndo cheguei à porta da igreja. Para o meu desespero, já tinha passado o horário e as pessoas que estavam na porta eu nem conhecia, o que me deu impressão de que o casamento já tinha começado. Lentamente, abri a porta lateral do templo e vi um casamento acontecendo. “Meu Deus!!! A Ana já está no altar e eu, logo eu, tive que deixar a melhor amiga dela de fora da cerimônia por ser um parceiro atrasado!!!”. Para minha felicidade, ao levantar meus olhos, eu vi o noivo conversando do lado de fora da igreja. Respeirei aliviado!!!
Agora eu precisava guardar minhas coisar para poder entrar no casamento. Quem guardaria se eu não conhecia ninguém? Pedi ao Carlos que guardasse minhas coisas co um amigo.
Entramos no casamento, bla-bla-blá do padre, vários tempos em pé, saímos. Quem era e onde estaria minha carteira, celular, dinheiro e afins se eu não lembrava quem era a criatura piedosa que me ajudou naquela hora? Tive que sair procurando um a um na festa de casamento.
VI Tomo: A festa de casamento
Peguei uma carona com o Nilton Campos (meu último gerente no Wal-Mart, grande pessoa que admiro!) e sua esposa, da igreja em Osasco até o salão em Barueri, atravessando o penoso caminho com trânsito.
Mas a festa rolou sensacional. Vocês precisam ver algumas fotos que tirei. Elas estão no meu album de fotos aqui no MSN Spaces.
Aqui termina a minha história do sábado mais sofrido da minha vida inteira.
Abraços
Taiguara Pires
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